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Sentiu-se
mãe de todos a D. Leonor. Foi ela que vestiu de fantasias
os 30 reis e rainhas. O baile abriu oficialmente o Carnaval em São
Pedro de Sintra, onde a folia tem mesmo três dias há
já muitos anos. Poucos se lembrarão do primeiro Baile
da Rainha, certo é que a D. Leonor, ainda gaiata, vibrava
quando passava o cortejo por altura do namoro e agora veste os pretendentes
ao trono.
Foi uma tarefa lenta e precisa a de vestir, com os fatos que a Sociedade
Filarmónica "Os Aliados" de São Pedro de
Sintra alugou, os 15 pares do desfile - a cada fato os seus sapatos
dourados, luvas, bolsas, chapéus, perucas, cintos e outros
adornos. À D. Leonor, que os confeccionou a todos, bastou-lhe
o gosto para se inspirar. A prática começou com os
filhos e outras crianças, mas estendeu-se aos crescidos,
desejosos de vestir outras épocas. Nos reis e rainhas do
Carnaval de São Pedro de Sintra, brilham os fatos da D. Leonor,
mas cada baile tem o frenesim do primeiro.
Dos livros, da televisão, das pessoas que passam na rua e
de outros Carnavais tira a D. Leonor ideias para roupas que desenha,
costura e cose, utilizando veludo, seda e cetim, muitas fitinhas,
rendas e laços, como antigamente.
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Tudo lhe chama a atenção, confessa. O fato
que mais prazer lhe dá é "sempre o último"
- significa que o dever está cumprido. Mas nunca se
separa da sua obra. Enquanto vestia os pares para o Baile
da Rainha, fazia recomendações - cuidado com
as caudas dos vestidos, com os sapatos, com as perucas trabalhadas.
No rescaldo da festa, estava uma noite em branco à
espera da D. Leonor - depois de tudo devolvido, algumas horas
tinham que chegar para limpar e passar as fantasias, porque
no dia seguinte outros foliões haviam de querer vesti-las.
Tudo a postos
Coube aos Bombeiros Voluntários de São Pedro
de Sintra, também vestidos a rigor, escoltar o cortejo
rua abaixo.
As pessoas que
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numa sexta-feira à noite, quase sábado, andavam
por ali, confirmavam que o dia é de festa carnavalesca.
Já na rua , alinhavam-se os pares - primeiro o rei
e a rainha do ano passado, prontos para passar o testemunho,
depois uma escada de casais encabeçada por crianças
fantasiadas de gente grande.

Dois a dois, a D. Leonor passava vistoria - conferia se tudo
estava no lugar, onde é que era preciso alargar ou
apertar. Com tudo a postos, a carreira de pretendentes ao
trono saiu ao ritmo da música em direcção
à Sociedade Filarmónica de São Pedro
de Sintra. No recinto da festa, dezenas de pessoas aguardavam,
entretidos pela música, para deitar o olho aos pares
reais. Explica João Almeida, da direcção
da colectividade, que não é difícil atrair
os mais velhos, difícil é
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incentivar os novos a frequentar locais assim. Ainda o cortejo
não tinha chegado , já João Almeida garantia
que "o desfile deste vai ser melhor que o do ano passado",
numa tentativa para deixar definitivamente para trás
o Carnaval de há três anos, quando a tradição
não aliciou mais do que três casais. Ninguém
quer ver a cena repetir-se e o objectivo é mesmo chegar
ao resplendor de outros tempos quando os fatos não
chegavam para os 70 pares que tentavam a sorte no Baile da
Rainha.
Alinhados à porta da Sociedade Filarmónica,
os reis e as respectivas rainhas eram chamados com pompa e
circunstância - desfilavam então perante curiosidade
dos presentes e atenção do júri que,
no fim, escolheria o novo par real. Com o empenho da direcção,
o apoio
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da Junta de Freguesia e "algum da Câmara de Sintra"
e a boa vontade dos sócios, São Pedro de Sintra continua
a cumprir três dias de Carnaval - a festa prolongou-se no
sábado com um baile de máscaras, onde foi premiado
o melhor disfarce, e na segunda-feira com o Baile do Assalto uma
estreia. Tudo começou a ser preparado quando começou
o Carnaval do ano passado.
É unânime que sociedades como a Filarmónica
de São Pedro de Sintra dão alma a comunidade e porto
seguro para gerações que por lá passam. Mas
porque travam então tamanhas batalhas para sobreviver? João
Almeida diz que as pessoas "falam mais do que aparecem",
mas não se dá por vencido. Conta que tem planos contra
o abandono da Filarmónica e desvendou dois - noites de fado
e bailes quinzenais são as apostas que, ao longo de 2002,
servirão para obrigar as pessoas a passar e a ficar na sociedade.
Na esperança que lhe ganhem o gosto.
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